segunda-feira, 4 de maio de 2009

Amicus Plato, sed magis amica veritas

Sempre se escreve tanto, sobre tanta coisa. Quero escrever sobre o que ainda não foi escrito. Se a linguagem é uma ferramenta, quero escavar com ela minas ainda inexploradas, recantos escondidos, paraísos perdidos. Mas sobre os meandros do pensamento paira o espectro de que tudo sobre o que se podia escrever, já foi escrito. Falsa impressão! Válida quem sabe para o Latim, e tantas outras línguas mortas. A linguagem se transforma todo o tempo, em todo lugar. Não é estática. Por isso sempre haverá algo para ser escrito. Nunca se poderá escrever tudo sobre o todo. Pois o todo muda – e o modo de se escrever também. Parece-me, portanto, que não há tanto mistério ou dificuldade em escrever algo novo. É, realmente, o óbvio. Escrevemos o novo a todo momento sem perceber. E ainda ficamos procurando um sentido... ora! Se nada nunca é o mesmo. Seria estranho se sentido encontrássemos.

Mas o domínio das ferramentas de linguagem, base de toda esta estrutura, só é válido realmente quando usado para esclarecer (e não para confundir) as coisas (por coisas entendam-se tudo o que pode ser dito/escrito). A linguagem confusa, mas que tinha o objetivo de ser clara, perdoa-se pela boa fé. Quanto a uma linguagem propositalmente confusa, criada para não ser entendida, de fato tem uma função lingüística que sinceramente me escapa.

O ato de escrever, de falar, tem de ser acompanhado de uma intenção esclarecedora. Este é o seu fundamento. A confusão pode ser uma conseqüência, ou dar certo requinte “figurativo” na linguagem, mas não poder ser seu objetivo. Escrever é iluminar o porão escuro, que é o mundo quando desconhecido, com o brilho da compreensão. Sem escapar de sua função emaranhando-se em si mesma, a linguagem existe para facilitar o entendimento. Não existem verdades definitivas quando tudo sempre muda, por isso tal esclarecimento é constante. Talvez uma “missão” que realmente compete à filosofia seja a de que este princípio não se perca. Mas ainda é cedo para dizer algo neste sentido.

Título: (do latim) - Platão é amigo, mas a verdade é mais amiga do que Platão.

Um comentário:

  1. Orlandeira!
    Quando ví jornais e revistas perdendo e parecendo velhos caquéticos quando comparados aos blogs de alunos, durante a ocupação da reitoria da USP, percebi a real genealidade dessa ferramenta.

    Desejo-te todo o sucesso, estarei sempre presente por essas bandas, onde moram palavras sabiamente precisas.

    Não se preocupe - aposto! Isso não te causa dores de cabeça - em escrever sobre o não escrito. Se você escreve, por mais falado que esteja, haverá, no mínimo, uma gota, de algo novo.

    Adios, pendejo!

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